07/01/2026
25/12/2025
MS: FUTEBOL FALINDO ?
20/12/2025
SE ESSA CHUVA...
12/12/2025
O ÚLTIMO GUAICURU...
O ÚLTIMO GUAICURU
O “bate-pau” para de repente. Os índios ficam calados. O silêncio cai como uma suave brisa sobre as cabeças dos empoeirados guerreiros. Estão trazendo o “Velho”. É assim que os Kadiwéus, carinhosamente, chamam o ancião que chega carregado por quatro bravos. Vem pintado com as cores de guerra da tribo que o adotou. Repousa em uma rústica padiola, feita com galhos colhidos na mata de uma miserável reserva indígena, perdida num canto qualquer do Pantanal. Respeitosamente, ele é aconchegado ao lado da fogueira sagrada...
Os curumins se assustam com sua
caricata figura. Pedaço de homem, enfeitado com penas coloridas. Com um olhar
tristonho, perdido, voltado para o céu enluarado, tentando adivinhar, quem
sabe, o que dizem as estrelas. Não parece sentir qualquer emoção. Este
guerreiro não tem pernas. Foram amputadas na altura dos joelhos. Jura que foram
perdidas na batalha mais sangrenta que enfrentara. Uma história sem sentido que,
sem nenhum aviso, começa a contar. Todos fazem questão de ouvir...
O ancião, com trôpegas palavras, bate
com o punho fechado no peito e confessa: “Sou o último Guaicuru!”. Começa a
contar sua triste história. Os guerreiros fecham os olhos para ouvir. Revela
que, antes de ser piedosamente adotado pelos Kadiwéus, era um jovem bravo da
extinta tribo Guaicuru. Exímio arqueiro. Suas setas certeiras tinham feito
centenas de inimigos cavalgarem pelas pradarias celestes. Por isto ganhara um
apelido dos anciões: ‘Flecha Certeira’...
Crescera ao longo da Serra da
Bodoquena. Lugar farto em alimentos e de generosa caça. Seus antepassados já haviam
mostrado bravura e habilidade como cavaleiros nas batalhas em que venceram
soldados portugueses e espanhóis, libertando o Forte Coimbra, defendendo seu
território lutando contra guaranis, terenas e tribos do Chaco boliviano e
altiplanos dos Andes. Cansados daqueles sangrentos combates, decidiram procurar
uma terra prometida. Lugar onde poderiam ter vida longa e tranquila. Flecha
Certeira - o mais bravo dos jovens guerreiros – foi o escolhido para achar este
paraíso de muita caça e rios de águas cristalinas que imaginavam ficar entre o
Grande Rio e a Montanha de Ferro, lugar de onde vigiariam o caminho que levava até
a cidade que os caraíbas chamavam de Corumbá, onde se escondiam após atacar e
roubar os índios...
Depois de escolher seus bravos, vagaram
dias e dias pelo Chaco em busca do prometido refúgio. Certa tarde, do alto de
uma serra, Flecha Certeira avistou caras pálidas armados de paus-de-fogo,
vigiando escravos que usavam estranhas roupas e ferramentas cortando o chão do
grande morro. Desconfiado, acampou no ponto mais alto da colina. De cima, tentou
descobrir o significado daquele exército esquisito, formado por um bando de
brancos armados e um punhado de escravos famintos. Por várias luas observou
aquela gente. Quem seriam? O que estavam fazendo? Porque derrubavam a montanha
de ferro? Cada vez mais intrigado via a estranha estrada avançar na direção da
Cidade Branca...
O tempo correu rápido. Dias depois, o
sol invadindo seu esconderijo, acordou com pavorosos rugidos. Os mais altos que
já escutara. Barulho de mil trovões. Algo pesado, muito poderoso, se arrastava pela
morraria. Correu para ver o que era. Ao chegar ao alto do monte, o radiante luar
tornou fantasmagórica a visão que teve: a maior de todas as cobras que jamais vira.
Uma gigantesca sucuri. Comprida como as cachoeiras que descem das montanhas,
uivava como um lobo ferido. Soltava fogo pelas narinas. Jogava brasas e fumaça
para o céu. Exalava forte cheiro de enxofre. Dentro de sua recortada e ensolarada
barriga, Flecha Certeira viu muitos escravos que ela acabara de devorar. Visão
dos infernos. Seus bravos fugiram apavorados. Os cavalos dispararam sem rumo. Foi
difícil reunir seus guerreiros, trazê-los de volta para o morro e recapturar os
animais. No outro dia, sem nenhum sinal da sucuri, observando a maldita trilha,
Flecha Certeira decidiu lutar. Não podia deixar que o medo tomasse conta dos
corações de seus guerreiros. Não eram covardes. Chamou seus bravos e avisou: “Temos
que defender nossas mulheres, nossas crianças. Honrar nossos velhos, nosso Solo
Sagrado. Quando a Grande Sucuri voltar, nós a mataremos!”...
Várias luas passam. As armas estão afiadas
como nunca. Os cavalos, descansados e prontos para o combate. O sol se esconde.
A noite chega. Uivos estremecem a montanha de pedra com o barulho de trovões. A
Grande Sucuri voltara. Arrasta-se pelo caminho feito pelo cara pálida. Vendo o
terror estampado nas faces de seus guerreiros, o jovem chefe quis provar sua
bravura: sozinho mataria aquele monstro. Só assim recuperaria a moral de seus bravos.
Então, de repente, os incrédulos guaicurus veem quando a figura de Flecha
Ligeira, destacada no meio da grande lua cheia, galopando seu cavalo, bradando seu
grito guerra, despenca na direção da Grande Serpente...
O “Velho” com voz embargada pela
emoção, confessa que naquela maldita noite não teve tempo de descobrir que tipo
de perigo enfrentava. Não resistiu ao único embate. Foi atirado para o ar. Suas
pernas foram decepadas. O sangue tingiu de vermelho as penas de gavião de seu
cocar. Rodopiando como uma folha seca, olhou desesperado para o céu e pediu
socorro a Jaci. Arrebentou-se no chão. Desmaiou. Não viu seu cavalo ser
despedaçado pela besta fera...
Termina sua penosa narrativa. Pede para
ser levado para seu abrigo. Não tem forças para mais nada. Os Kadiwéus batem
palmas. Respeitosamente, o transportam até a sua velha oca. O pajé disfarça um
sorriso, de ironia e piedade. É o único que sabe a verdadeira versão daquela estória.
Um segredo que não conta para ninguém em respeito ao inválido guerreiro. Olha
fixamente para as estrelas, dá uma tragada em seu cachimbo, cochicha: “Flecha
Certeira, foi o primeiro guerreiro a tentar deter com flechas um trem!”...
Verdade. O velho ficara aleijado ao
atacar uma ‘Maria Fumaça’. Perdera sua última batalha para o lendário trem que
depois de uma saga de sacrifícios, heroísmos e muitas mortes na construção da
ferrovia, fazia sua primeira viagem entre Campo Grande e Corumbá! Ele e seu
cavalo foram atropelados por uma locomotiva a vapor. Pelo lendário Trem do
Pantanal...
Meninos... eu vi !!!
***** jairbuchara@hotmail.com *****
07/12/2025
NATAL NO EXPRESSO FANTASMA...
04/12/2025
30/11/2025
A VAMPIRA DO PARQUE DOS PODERES,,,
Quando Jenir completou 18 anos, sua avó, benzedeira no
bairro Amambaí, lhe deu um patuá costurado em um pano preto advertindo-o que,
daquele dia em diante, deveria sempre trazê-lo pendurado no pescoço. O patuá guardava
em seu interior, mistura de ervas com dentes de alhos macerados exalando um
odor azedo que o jovem fingiu ignorar. Fechava o corpo. Evitava quebranto, mal
olhado, feitiço, praga. Afastava bruxa, vampiro e lobisomem. Para conquistar
mulheres era infalível. Jenir deveria carregá-lo diuturnamente...
Era tudo que o Don Juan precisava para garantir
suas conquistas baratas. Agora poderia aprontar sem temer nenhum tipo de
represálias. Além de ter o corpo fechado, seria irresistível. Mulheres? Seriam
presas fáceis. Pensando estar protegido física e espiritualmente, o rapaz começou
a agir como um super-homem. Depois de acertar uma milhar no jogo-do-bicho,
comprou um velho Opala. Mandou envenenar o motor...
Um porteiro do Rádio Clube, conhecedor das quebradas
da Cidade Morena, revelou que sabia de um lugar onde ele poderia “queimar
pneu”: “No Parque dos Poderes, depois das dez da noite, por causa da pressão
dos filhinhos de papai, fica tudo liberado. A polícia deixa a zoeira correr
solta!”...
31 de outubro, dia do Halloween, noite das bruxas, altos
da Afonso Pena. É quase meia noite. Suando, Jenir se embriagava com o cheiro da
borracha queimada no asfalto. Gangues de punks e darks misturavam-se a jovens e
coroas mal intencionados que começavam a lotar os acostamentos. Jovens fantasiados.
Pelas pistas da avenida mais charmosa de Campo Grande, desfilavam vampiros,
duendes, dráculas, frankesteins e bruxas, vibrando e surtando com o roncar dos
motores envenenados...
O “crack” corria solto. Havia cheiro de marijuana
no ar. Jenir já havia flertado com meia dúzia de gatinhas empolgadas com seus
cavalos de paus quando percebeu na multidão uma “vampira”. Sua atenção foi
desviada para a mulher mais bonita que jamais tinha visto na vida. No meio da
fumaça dos baseados e dos escapamentos, flutuava ela. Sorrindo para ele, insinuava
uma noite plena de aventuras...
Jenir, não perdeu tempo. A pé, foi atrás da bela fantasiada.
De longe, minissaia provocante, agitando esvoaçante capa negra, ela continuava
a esbanjar seu charme. “Vai ser moleza!”, pensou o rapaz ao aproximar-se para
abordar aquela tentação. Daí, a decepção. A menina recuou. De repente, olhos
arregalados, assustada, como se estivesse sufocando, precisando respirar, ela fugiu
apavorada engolida pela na multidão. Perplexo, Jenir se recusou a desistir da
moça. Seu problema se resumia em encontrá-la. Com raiva, ficou mais arrojado.
Radicalizou nas manobras. Ganhou cada vez mais aplausos. Subia e descia a
avenida surtando como se estivesse drogado. E, de novo, ela. Desfilando na
multidão, sorria maliciosa para Jenir. Pele alva, sedosa. Cabelos negros. Unhas
vermelhas semelhantes à garras. Boca sensual, dentes perfeitos. Olhar profundo
e marcado por enigmática olheira...
Jenir desce do carro batendo a porta. Corre em
busca de sua musa. Ao tentar falar com ela, de novo é recebido pelo mesmo olhar
angustiado, apavorado, o medo desenhado em cada gesto. De novo a fuga em pânico
pela noite. O rapaz tenta persegui-la. Barrado por um grupo de ‘skinheads’,
desiste da perseguição. Desolado volta para o carro Sua frustração era tanta
que se quedou absorto, parado. Cabisbaixo, não entende o que acontecera. Irritado,
abre a porta do Opala e se joga no banco dianteiro. Nisso, o cordão de seu patuá
se enrosca na maçaneta. Arrebenta. O amuleto carambola no ar, vai parar debaixo
do banco dianteiro. Um cheiro nojento invadiu o ar. Os olhos de Jenir lacrimejam.
Suas pupilas se dilatam. Pensa: “É isso! É do patuá este maldito cheiro de alho
podre. Ela fugiu por causa do cheiro! Por que não percebi antes?”...
Os primeiros fogos comemoravam o Halloween quando
Jenir se misturou com as múmias, esqueletos e dráculas. Ápice da noite das
bruxas. O patuá? Seu patuá jaz esquecido debaixo do banco. Confiante, o rapaz corre
em busca da sua vampira. Ei-la ali. Desta vez, a mulher-morcego não foge.
Caminha lentamente enquanto Jenir segura em sua mão. Ao lado dele, deixa-se
abraçar. Não se nega. Depois de um apaixonado beijo, sem dizer uma só palavra,
o casal mergulha nas românticas quebradas dos altos d’Afonso Pena...
Primeiro de novembro. Dia de todos os santos.
Véspera de Finados. Na névoa seca da manhã, um médico legista examina o corpo
de um jovem caído ao lado da estátua do guerreiro guaicuru no Parque das Nações
Indígenas. É o cadáver de Jenir. Sem nenhum
sinal de violência, ferimento, hematoma, ou buraco de bala. No pescoço, na
jugular, dois furos. O corpo não tem uma gota de sangue. Parece um boneco de
cera...
O legista chama o delegado. Faz uma confidência. Sussurra
ao seu ouvido: “Eu não acredito em bruxas, mas, ontem foi a noite delas. Posso
jurar que este coitado foi atacado por um... vampiro!“ Respira fundo: “Como nós
sabemos que vampiros não existem, não sei o que dizer! Para não atrapalhar
nosso feriado, vou atestar morte natural! Parada cardíaca! Todo mundo vai notar
as duas marcas no pescoço. Vou ser menos formal. Evitar perguntas embaraçosas. Ele?
Se picou. Injetou cocaína ou heroína no pescoço. O coração não resistiu. Resolvido...
Morreu de overdose!”...
Pobre Jenir. Quem mandou não ouvir o conselho de sua
avó? Quem mandou abandonar seu patuá? Longe dele, não tinha o corpo fechado...
Meninos... Eu vi !!!
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25/11/2025
HISTÓRIA DO FUTEBOL EM MS
22/11/2025
SÓ UMA BALA NA AGULHA...
O
amor é bala perdida. Viaja sem rumo e sem destino. Explode no coração do
primeiro incauto que cruza seu caminho. Impiedoso, não escolhe idade, nem sexo...
No
caso de Cornélio, chegou bem cedo. Decidido a criar raízes. Pegou o rapaz, na
plenitude de seus 15 anos...
Com
uma saúde de Biotônico Fontoura, de repente, o garoto começou a deixar seus
pais preocupados. Abandonou os livros. Deixou de ouvir rádio. Parou de bater
bola com seus amigos. Vivia suspirando pelos cantos. Seu pai, Oscar, cochichou
para sua mãe: “Maria, aí tem dedo de mulher!”...
Ledo
engano. A responsável pelos suspiros não era uma mulher. Era só uma menina. Só
13 anos. Criança que, de noite, ainda passava da sua cama para a de seus pais.
Que dormia abraçada com um bichinho de pelúcia e passava as tardes conversando
com sua boneca Emília. Quase um anjo. Ela era a bala perdida que ferira o
coração de Cornélio...
Estudante
do Colégio das Irmãs. Carinha de ingênua, a menina parecia não saber do
potencial que seu corpo começava a revelar. Displicentemente, fingia não notar
o generoso botão desabotoado de sua blusa que premiava os homens com uma visão
maliciosa e pecadora. A saia colegial, não era capaz de cobrir todos os
encantos que Deus generosamente lhe dera. Os meninos, pelas ruas do Amambai, batiam
cabeça tentando ver algo mais ao longo daquele delicioso, juvenil e ouriçado
par de coxas...
Cornélio
estudava no General Malan. Morava nos arredores da Perpétuo Socorro. Aos
domingos era o primeiro a chegar para a missa das sete. Não para orar, para
adorar. Encarando fixamente, sem dar um suspiro, sem mexer um músculo, vigiava
todos os passos e gestos de Teresinha com genuína devoção...
Não
deu outra coisa. Enamoraram-se. Paixão instantânea. Recíproca. A jovem, católica,
vivia na igreja. Não perdia missa, novena ou quermesse. Ajudava no que podia.
Por causa dessa dedicação toda, Cornélio começou a achar que ela era uma santa.
Apesar do desejo que o consumia, se mantinha firme. Tratava Teresa com o maior
respeito. Sem longos beijos na boca nem carícias mais audaciosas...
Ela,
verdadeiro vulcão, cheia de amor para dar, consumia-se em desejos
inconfessáveis. Ele fazia questão de não avançar o sinal. Bom caráter, enquanto
segurava as pontas, vivia repetindo: “Não Teresa! Espere o casamento! Eu aguento!”.
Para seu pai, ele confidenciava: “Sou um cara de sorte! Teresinha é uma
santa!”...
Na
realidade estavam apaixonados. Assim se casaram. Viviam felizes. A moça
continuava generosa nos seus decotes e sentares. O jovem, cada vez mais apaixonado,
debulhava elogios para a mulher amada. E o tempo passou. Sete meses de
casamento. Nenhum sinal de barriga ou gravidez. Uma noite, ouvindo a sogra
reclamar por um neto, Teresinha desabafou: “A culpa não é minha, é de seu
filho! Não me procura! Acha que sou santa, que sou de ferro! Que não sinto
vontade nem desejo!”...
Essa
conversa acabou sendo ouvida pelo velho Oscar...
Ávido
por um neto, o coroa ficou indignado. Seu filho não era gay. Era macho, como
ele. Daí pegou no pé do rapaz. Cobrou. Qual era o problema? Afinal, Teresinha
era uma potranca. Transpirava sensualidade. Cheia de vontades, doida para subir
pelas paredes. Cornélio desconversou. Que conversa era aquela? Sua mulher não
era puta. Tinha que ser respeitada. Disse que na hora certa, aconteceria. Não precisavam
ficar pressionando. Seu pai, ainda desconfiado, advertiu: “Vou ter uma
conversinha com Teresa. Ela vai ter que me explicar esta falseta”. Ninguém
ficou sabendo se chegou a cumprir sua promessa. O tempo voou. Todo mundo esquecera
tal episódio...
Certa
tarde, Cornélio recebe um envelope. Um moleque pilotando uma bicicleta lhe
disse: “É para o senhor!”. Dentro, um bilhete. Anônimo. Curto e grosso: “Sua
mulher está lhe traindo!”. Nos dias seguintes, outros mais. Revelavam datas e
detalhes dos encontros. Nenhum nome. É claro que a vida de Cornélio virou um
inferno insuportável. Fingia fazer absoluta questão de ignorar e não acreditar
naquilo que lia. Mentiras escritas por algum maldito invejoso...
Um
dia, depois de mais um bilhete lido e de observar as atitudes de sua amada,
chegou ao limite. Começou a pensar como estava sua vida conjugal. Sua mulher
não o procurava mais com o mesmo fogo de antes. Não reclamava. Dormia cedo. Seria
verdade? Estava sendo traído? Mas, por quem? Hipocritamente, para ele,
Teresinha continuava sendo uma santa. Adorava-a. A culpa toda seria de algum canalha
que a estava iludindo, aproveitando de sua ingenuidade e inexperiência. Da sua pureza
de caráter. Seria a mesma pessoa que estava mandando aqueles bilhetes idiotas? Raivoso,
tomou uma decisão inconsequente: se preciso fosse, mataria o conquistador. Defenderia
a honra e a reputação de sua amada. Para isso, começou a arquitetar um plano...
Comprou
uma pistola. Receando que na hora que fosse usar a arma lhe ocorresse a
tentação de atirar também na sua amada, decidiu: “Vou por só uma bala na
agulha!”. Não teria piedade. Colaria a arma na nuca do tarado e, fim da linha
parceiro!
Quarta
feira, dia de levar sua mulher na novena. Cornélio fingiu uma enxaqueca. Pediu
para ficar repousando em casa. Ela podia ir sozinha. Assim, se os bilhetes fossem
verdadeiros, Teresa não perderia a chance de encontrar-se com seu amante. Esperou
o tempo passar. Noite chegando, enfiou sua arma debaixo do paletó branco de
linho. Saiu assoviando, tranquilamente...
Chegou
ao endereço delatado, uma pensão na esplanada ferroviária, rua General Melo. Deu
uma propina para o porteiro que confirmou a presença de um casal no quarto 13. Pela
descrição, a mulher era mesmo Teresinha. Recebendo a cópia da chave do quarto,
jurou não fazer nenhum escândalo. Precisava, só, tirar uma dúvida. Queria
conversar com os dois para confirmar um negócio. Começou a subir cautelosamente.
Em silêncio, com muito sangue frio, destrancou a porta. Empurrou-a devagar,
quase com medo. Entrou um pé depois do outro naquele lupanar. Reconheceu os
ofegantes gemidos de uma mulher. Era mesmo a sua Teresinha. Em pleno cio...
Dezenove
horas. Os dois amantes, apaixonadamente ativos, não notaram sua presença. O
barulho de um trem chegando à estação da Noroeste encobriu o som de seus
passos. Cornélio, coração na mão, enojado, chegou bem pertinho do casal. Antes
de atirar, quis saber quem era o cara que roubara o coração de sua mulher. Olhou
direto nos olhos do traidor...
Pobre
rapaz. O tarado, o canalha, amante de Teresinha, era Oscar. Seu pai...
O tiro,
fatal, ecoou pelos corredores do Colégio Dom Bosco e pelos apartamentos do
Hotel Gaspar. Foi ouvido no Dragão da Baixada. Explodiu a cabeça do infeliz. O
sangue escorreu pelas paredes. Os miolos mancharam os alvos lençóis da impura
cama. Realmente uma tragédia. A notícia rapidamente se espalhou. Campo Grande
se comoveu...
Um tiro
só! Cornélio, o mais apaixonado, o mais fiel de todos os maridos...
Acabara
de se suicidar!
Meninos
eu ví!
jairbuchara@hotmail.com
******
16/11/2025
UM CORPO BOIANDO NO ANHANDUI...
BEN-HUR:
UM CORPO NO ANHANDUI...
Ben-Hur nasceu
com nome diferente, badalado, nome de príncipe judeu, de filme americano
famoso. Cresceu pensando ser o “máximo”, embora abominasse a infelicidade de
ter nascido em família humilde, cujo único patrimônio era uma casinha no
Tarumã...
Por causa
da precária situação financeira dos pais e do sarro que seus colegas tiravam de
seu nome, a cada dia ia se sentindo mais humilhado. Não tinha amigos. Andava sozinho.
Aos 16 anos, deu-se conta que gozava de certo charme. Cabeludo, cheio de
pulseiras e colares, calça jeans, camisa vermelha. As periguetes viviam atrás
dele, mandando bilhetinhos. As mais velhas – mesmo as casadas - viviam lhe
atirando olhares lânguidos, beijinhos, piscadelas, com promessas de muitas
aventuras...
Aos 18,
alistou-se no Exército. Viveu a maior parte do tempo de soldado atrás das
grades, por desacato, bebedeira e quebra-quebra em bordéis. Durante o tempo de
caserna chegou a juntar uns trocados. Depois de um ano, deu baixa. Revoltado,
cada dia mais decidido a se vingar do mundo. Sendo um covarde, pusilânime, sem
caráter, escolheu o sexo frágil para ajustar as contas. Vingança besta, sem
sentido, que nem ele sabia explicar o motivo...
Desempregado,
vivia sustentado pelas ingênuas colegiais que se emaranhavam nas falsas teias
de seus encantos...
Certa
ocasião, quase meia-noite, depois de asistir um jogo no Morenão, pela primeira
vez, por acaso, embarcou no “Corujão” - último ônibus noturno da linha “Centro/Tarumã”,
o bairro mais distante do centro da cidade...
Descobriu que
naquele horário e naquele ônibus lotado por cansados trabalhadores, estudantes,
enfermeiras, desocupados, soldados, homens e mulheres, poderia se valer de seus
“encantos” e de suas certeiras “cantadas”, para ganhar dinheiro fácil. Querendo,
poderia até arrastar algumas incautas para uma rápida aventura e satisfazer
seus mais sujos e baixos desejos...
Com o
passar dos dias virou usuário frequente do “Corujão”...
Depois de
algum tempo já eram muitas as suas vítimas. Não bastava tomar o mirrado
dinheiro das infelizes. No coletivo discretamente escolhia uma vítima. Ficava
se roçando na coitada que, quando ousava resistir ao seu assédio, era ameaçada
de morte. Sob a mira de uma fictícia arma que fingia trazer no bolso da
jaqueta, a jovem sequestrada, era obrigada a descer do ônibus, acabando por ser
estuprada. Sem dó nem piedade. Nenhuma adolescente - por receio das ameaças
feitas pelo maníaco - jamais teve coragem de denunciá-lo à polícia. Tudo dava certo
para aquele aproveitador...
Por graças
do destino, o cara viveu sua fatídica Sexta Feira Santa. Naquele dia, sagrado,
de luto para os cristãos, Ben-Hur preparou-se para sair para mais uma de suas
“caçadas”. Sua mãe ousou lhe implorar: “Não saia hoje meu filho! Fique em casa!
Jesus está morto! As bruxas estão soltas! Não fique andando sem destino! É
perigoso! Estou com medo!”. O tarado nem deu bola. Saiu dando risadas. Aventurou-se
pelas ruas de Campo Grande até tarde da noite...
Por causa
do dia santo, não havia nenhum movimento. Ele ávido por um copo de cachaça, os
bares todos fechados. Poucas pessoas nas ruas. Assim que o “Corujão” chegou à
Maracaju, Ben-Hur embarcou. Chegando na Rodoviária, valeu-se do
“empurra-empurra” para selecionar sua próxima vítima. Avaliou: poucas mulheres,
nenhuma interessante. O ônibus, vazio. No último banco, uma solitária
passageira. Seu loiro cabelo contrastava com o discreto cachecol que escondia
seu rosto. Inteirinha vestida de branco...
“Ainda
bem!”, pensou Ben-Hur. Só podia ser enfermeira, ou auxiliar de um hospital
qualquer. Sem lhe dar atenção, a bela fêmea, desenvolta, tricotava uma peça de
lã. As duas agulhas de aço, negras, iam e vinham numa incrível velocidade...
Ben-Hur
sentou-se ao lado da desconhecida. Tentou puxar conversa. Nenhum olhar. Nenhum
oi. Nenhum suspiro. Raivoso, pensou: “Azar dela! Vai ser ela mesma! Não mandei
ser metida a besta!”. Apoiando a cabeça no banco, fingiu dormir. Esperou o
momento certo para atacar. E o “Corujão” seguia pipocando pelas esburacadas
ruas dos bairros da periferia de Campo Grande, buscando seu ponto final. Passou
pelo Tijuca, Batistão, São Jorge da Lagoa. Entrou na Copavila II, invadiu o
Tarumã...
Perto do
Hospital do Pênfigo, a bela e sedutora enfermeira levantou-se. Sem olhar para
os lados, cruzou a catraca. Puxou a cordinha. Desceu no Clube 5 de Maio, perto
das torres da Enersul. Lugar escuro. Deserto. Abandonado. Perigoso. O jovem
tarado, todo fogoso, disfarçadamente, desceu atrás. Seu fim de noite parecia promissor. Seu sujo plano, por enquanto, estava dando certo...
Amanheceu o
dia. Dia de malhar o Judas: “Sábado de Aleluia”...
Maria, mãe
de Ben-Hur, nervosa, inquieta, café quentinho na térmica, aguardava seu único
filho. Apesar de todos os defeitos do rapaz, ele sempre avisava quando não ia
voltar para casa. Aflita, a assustada mulher já telefonara para tudo quanto é
lugar onde ele poderia ter passado a noite. Ninguém sabia nada. Nenhuma notícia...
_ “Deus, porque
é que ele não chega? Onde andará meu menino?”...
Meio-dia,
buzinas no portão. Maria, angustiada, corre para atender. Lá fora, parado, um carro preto. É a polícia.
Trazia noticias sobre seu filho. Ele, finalmente, havia sido encontrado...
Debaixo da
ponte, uns cem metros do ponto do Corujão...
Bem-Hur
boiava no Anhanduí...
Uma negra
agulha de tricô, de aço, atravessava sua garganta...
Outra
cravada, até a metade, em seu coração...
O terror do
“Corujão do Tarumã” nunca mais voltou a atacar!
Meninos...
Eu vi !!!
****Jair
Buchara ****
07/11/2025
QUEM ENTERROU O TREM-DO-PANTANAL ???
Em 1999,
o então governador de MS, ZECA DO PT, recém-empossado, tinha como uma de
suas metas a reativação do TREM DO PANTANAL. Inicialmente a promessa da volta deste
trem tinha sido prevista para novembro de 2005, mas isso não aconteceu apesar
de várias obras terem sido feitas como a construção e reformas de várias
estações ferroviárias...
O
TREM DO PANTANAL fez a sua primeira viagem oficial em 9 de Maio de 2009. Na Esplanada da Estação
Ferroviária,
Até hoje ninguém sabe o verdadeiro motivo
da antiga NOB ter sido desativada em 1994, justamente quando batia – segundo as
estatísticas da época - todos os recordes de transporte de cargas com números
semelhantes aos da Índia, França, Inglaterra e Japão e quando era uma
importante auxiliar no combate à aftosa e resgate do gado durante as cheias do
Pantanal. Em 2006, o Ministro de Turismo, MARES GUIA, junto com ZECA DO PT e RUITER
CUNHA, prefeito de Corumbá, assinaram um protocolo de transferência que
autorizava o repasse de R$ 1,8 milhão para obras de reforma, saneamento de
oficinas e capacitação da comunidade. MS entrava com R$ 100 mil de
contrapartida. Porto Esperança receberia o investimento e o trem começaria a
circular ainda em 2006. Enfim, MENTIAM que o trecho Corumbá x Porto Esperança
já estava pronto e os vagões também...
Tudo enrolação. No início de 2007, vários
daqueles ilustres representantes já citados, mais o então prefeito de Campo
Grande, ANDRÉ PUCCINELLI, alardearam na mídia nacional que o Governo Federal
disponibilizaria 100 milhões de reais para a recuperação da ferrovia no trecho
entre Corumbá/MS e Bauru/SP. O Secretário de Infraestrutura de MS, CARLOS LONGO,
boquejava que para o “Trem do Pantanal” voltar só faltava reformar uma estação
- seriam 5 vagões com 192 passageiros percorrendo 15 estações. Meses mais
tarde, depois de assinado um convênio com a América Latina Logística e uma
“trade” turística do Paraná, ANDRÉ PUCCINELLI profetizou que o expresso poderia
voltar em setembro de 2008, com mais 3 vagões, dependendo de reformas no trecho
Aquidauana x Miranda. Infelizmente, no final de 2007, o então Secretário de
Transportes de MS, EDSON GIROTTO, jogou água fria na fervura decretando: “A
volta do Trem do Pantanal é uma utopia!”...
Nós, pobres contribuintes, ficamos
também sabendo pela mídia da época que a única ‘MARIA FUMAÇA’ ainda existente
em Mato Grosso do Sul, apodrecia singelamente em um jardim de Ladário. Servia
de brinquedo – diurno - para crianças, e de banheiro – noturno - para desocupados...
Pior, depois de uma esfuziante festa
pirotécnica regada a mordomias para a mídia e “para inglês ver”, depois de massageado
o ego dos nobres representantes da política estadual, os 5 vagões comprados a
peso de ouro, teriam sido recolhidos e encostados na esplanada ferroviária de
Corumbá, onde então jaziam, sofrendo o devido processo oficial de sucateamento.
Estavam, aos poucos, apodrecendo.
Enfim, estamos vivendo o terceiro
reinado de LULA e uma dúvida ainda persiste no imaginário deste Estado do
Pantanal: aqueles luxuosos vagões ainda existem? Se sim, onde estão escondidos?
Ninguém sabe. Ninguém viu...
Afinal... Quem enterrou o
Trem-do-Pantanal ?
***** Jair Buchara *****
02/11/2025
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RUM COM PASSAS...
RUM COM PASSAS...
I
RUM COM PASSAS: ERA O SORVETE PREFERIDO DELA.
SORVETE QUE EU LHE UNTAVA ENQUANTO A SEDUZIA,
UM PALADAR TÃO GOSTOSO, O SABOR QUE EU SENTIA,
QUANDO LAMBIA A CALDA QUE IA ESCORRENDO NELA.
II
RUM COM PASSAS ERA SÓ CHAVE DE NOSSO DESEJO.
SENHA QUE NOS LIBERAVA DE QUALQUER COMPLEXO,
A PASSAGEM DO SORVETE FRIO PARA O QUENTE SEXO,
A PORTA QUE ELA ABRIA DEPOIS DE UM LONGO BEIJO.
III
RUM COM PASSAS: ERA O SORVETE PREFERIDO DELA.
SORVETE QUE EU, LOUCAMENTE, LAMBUZAVA NELA,
DESEJANDO QUE O SEU CORPO MUDASSE DE SABOR.
IV
RUM COM PASSAS: ERA A NOSSA MARCA PREFERIDA.
SORVETE QUE ME RELEMBRA MINHA PAIXÃO PERDIDA:
ONTEM ERA DOCE NAMORADA, HOJE SÓ UM EX-AMOR!
*****
Campo Grande - MS














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