25/12/2025

MS: FUTEBOL FALINDO ?


BUGRADA PANTANEIRA, ENTRA ANO, SAI ANO... NADA MUDA...
O FUTEBOL "PROFISSIONAL" DE MS AFUNDA CADA DIA MAIS...
CADA DIA QUE PASSA PIORA DENTRO DAS 4 LINHAS...
ENTRE AS 27 FEDERAÇÕES DO BRASIL SOMOS O PENÚLTIMO COLOCADO...
SÓ GANHAMOS DO "ESTADO" DO AMAPÁ !!!
DEFENESTRARAM O CESÁRIO MAS... NADA MUDOU ?
TODO MÊS A CBF DEPOSITA UM CAMINHÃO DE DINHEIRO NOS COFRES DA FFMS...
JÁ PASSOU DA HORA DE APRESENTAREM ALGUM TRABALHO !!!
FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS OS TORCEDORES, SOFREDORES!!!
***** jairbuchara@hotmail.com *****




 

20/12/2025

SE ESSA CHUVA...

BOA TARDE PELES VERMELHAS E CARAS PÁLIDAS DESTE NOSSO MS...
DESTA NOSSA CAMPO GRANDE, CAPITAL DESTE ESTADO DO PANTANAL...
CIDADE CADA DIA MAIS MORENA...
POR RECORDAR DAS VELHAS CANTIGAS DE RODA,
CANTIGAS QUE, ANTIGAMENTE, TODOS JOVENS CANTAVAM...
MERGULHEI NO CLIMA DESSAS ÚLTIMAS CHUVAS DE INVERNO...
CHUVAS QUE ESTÃO DANDO SEUS ÚLTIMOS SUSPIROS...
VIVA O VERÃO !!!



 

12/12/2025

O ÚLTIMO GUAICURU...

 

O ÚLTIMO GUAICURU

 O “bate-pau” para de repente. Os índios ficam calados. O silêncio cai como uma suave brisa sobre as cabeças dos empoeirados guerreiros. Estão trazendo o “Velho”. É assim que os Kadiwéus, carinhosamente, chamam o ancião que chega carregado por quatro bravos. Vem pintado com as cores de guerra da tribo que o adotou. Repousa em uma rústica padiola, feita com galhos colhidos na mata de uma miserável reserva indígena, perdida num canto qualquer do Pantanal. Respeitosamente, ele é aconchegado ao lado da fogueira sagrada...

Os curumins se assustam com sua caricata figura. Pedaço de homem, enfeitado com penas coloridas. Com um olhar tristonho, perdido, voltado para o céu enluarado, tentando adivinhar, quem sabe, o que dizem as estrelas. Não parece sentir qualquer emoção. Este guerreiro não tem pernas. Foram amputadas na altura dos joelhos. Jura que foram perdidas na batalha mais sangrenta que enfrentara. Uma história sem sentido que, sem nenhum aviso, começa a contar. Todos fazem questão de ouvir...

O ancião, com trôpegas palavras, bate com o punho fechado no peito e confessa: “Sou o último Guaicuru!”. Começa a contar sua triste história. Os guerreiros fecham os olhos para ouvir. Revela que, antes de ser piedosamente adotado pelos Kadiwéus, era um jovem bravo da extinta tribo Guaicuru. Exímio arqueiro. Suas setas certeiras tinham feito centenas de inimigos cavalgarem pelas pradarias celestes. Por isto ganhara um apelido dos anciões: ‘Flecha Certeira’...

Crescera ao longo da Serra da Bodoquena. Lugar farto em alimentos e de generosa caça. Seus antepassados já haviam mostrado bravura e habilidade como cavaleiros nas batalhas em que venceram soldados portugueses e espanhóis, libertando o Forte Coimbra, defendendo seu território lutando contra guaranis, terenas e tribos do Chaco boliviano e altiplanos dos Andes. Cansados daqueles sangrentos combates, decidiram procurar uma terra prometida. Lugar onde poderiam ter vida longa e tranquila. Flecha Certeira - o mais bravo dos jovens guerreiros – foi o escolhido para achar este paraíso de muita caça e rios de águas cristalinas que imaginavam ficar entre o Grande Rio e a Montanha de Ferro, lugar de onde vigiariam o caminho que levava até a cidade que os caraíbas chamavam de Corumbá, onde se escondiam após atacar e roubar os índios...

Depois de escolher seus bravos, vagaram dias e dias pelo Chaco em busca do prometido refúgio. Certa tarde, do alto de uma serra, Flecha Certeira avistou caras pálidas armados de paus-de-fogo, vigiando escravos que usavam estranhas roupas e ferramentas cortando o chão do grande morro. Desconfiado, acampou no ponto mais alto da colina. De cima, tentou descobrir o significado daquele exército esquisito, formado por um bando de brancos armados e um punhado de escravos famintos. Por várias luas observou aquela gente. Quem seriam? O que estavam fazendo? Porque derrubavam a montanha de ferro? Cada vez mais intrigado via a estranha estrada avançar na direção da Cidade Branca...

O tempo correu rápido. Dias depois, o sol invadindo seu esconderijo, acordou com pavorosos rugidos. Os mais altos que já escutara. Barulho de mil trovões. Algo pesado, muito poderoso, se arrastava pela morraria. Correu para ver o que era. Ao chegar ao alto do monte, o radiante luar tornou fantasmagórica a visão que teve: a maior de todas as cobras que jamais vira. Uma gigantesca sucuri. Comprida como as cachoeiras que descem das montanhas, uivava como um lobo ferido. Soltava fogo pelas narinas. Jogava brasas e fumaça para o céu. Exalava forte cheiro de enxofre. Dentro de sua recortada e ensolarada barriga, Flecha Certeira viu muitos escravos que ela acabara de devorar. Visão dos infernos. Seus bravos fugiram apavorados. Os cavalos dispararam sem rumo. Foi difícil reunir seus guerreiros, trazê-los de volta para o morro e recapturar os animais. No outro dia, sem nenhum sinal da sucuri, observando a maldita trilha, Flecha Certeira decidiu lutar. Não podia deixar que o medo tomasse conta dos corações de seus guerreiros. Não eram covardes. Chamou seus bravos e avisou: “Temos que defender nossas mulheres, nossas crianças. Honrar nossos velhos, nosso Solo Sagrado. Quando a Grande Sucuri voltar, nós a mataremos!”...

Várias luas passam. As armas estão afiadas como nunca. Os cavalos, descansados e prontos para o combate. O sol se esconde. A noite chega. Uivos estremecem a montanha de pedra com o barulho de trovões. A Grande Sucuri voltara. Arrasta-se pelo caminho feito pelo cara pálida. Vendo o terror estampado nas faces de seus guerreiros, o jovem chefe quis provar sua bravura: sozinho mataria aquele monstro. Só assim recuperaria a moral de seus bravos. Então, de repente, os incrédulos guaicurus veem quando a figura de Flecha Ligeira, destacada no meio da grande lua cheia, galopando seu cavalo, bradando seu grito guerra, despenca na direção da Grande Serpente...

O “Velho” com voz embargada pela emoção, confessa que naquela maldita noite não teve tempo de descobrir que tipo de perigo enfrentava. Não resistiu ao único embate. Foi atirado para o ar. Suas pernas foram decepadas. O sangue tingiu de vermelho as penas de gavião de seu cocar. Rodopiando como uma folha seca, olhou desesperado para o céu e pediu socorro a Jaci. Arrebentou-se no chão. Desmaiou. Não viu seu cavalo ser despedaçado pela besta fera...

Termina sua penosa narrativa. Pede para ser levado para seu abrigo. Não tem forças para mais nada. Os Kadiwéus batem palmas. Respeitosamente, o transportam até a sua velha oca. O pajé disfarça um sorriso, de ironia e piedade. É o único que sabe a verdadeira versão daquela estória. Um segredo que não conta para ninguém em respeito ao inválido guerreiro. Olha fixamente para as estrelas, dá uma tragada em seu cachimbo, cochicha: “Flecha Certeira, foi o primeiro guerreiro a tentar deter com flechas um trem!”...

Verdade. O velho ficara aleijado ao atacar uma ‘Maria Fumaça’. Perdera sua última batalha para o lendário trem que depois de uma saga de sacrifícios, heroísmos e muitas mortes na construção da ferrovia, fazia sua primeira viagem entre Campo Grande e Corumbá! Ele e seu cavalo foram atropelados por uma locomotiva a vapor. Pelo lendário Trem do Pantanal...

Meninos... eu vi !!!

                                  ***** jairbuchara@hotmail.com ***** 

07/12/2025

NATAL NO EXPRESSO FANTASMA...

 

NATAL NO EXPRESSO FANTASMA...
Nasci de novo. Ressuscitei na noite de Natal...
Quase meia noite. Minha família me esperava na Vila Jacy. Eu não queria chegar atrasado para a ceia. Estava na Cophamat. Tinha ido desejar boas festas para um amigo. Agora, louco para chegar ao ponto da Gunther Hans, precisava pegar o expresso que passaria dez minutos antes da meia noite. Cinco minutos depois, desceria na Bandeirantes, pertinho da minha casa...
Olhei para o relógio. Comecei a correr, a suar frio. Cheguei na avenida a tempo de ver o expresso contornando o trevo do Imbirussu. Tudo bem. Mais um pique e, estaria dentro dele. Foi quando dei azar. Enfiei meu pé em um bueiro sem tampa. Não tive tempo para desviar. Perdi o equilíbrio. Saí catando cavacos, sem achar onde me apoiar. Bati a cabeça no meio fio...
Em meu cérebro, as ideias se misturaram. Uma nuvem negra invadiu meus pensamentos. Tudo foi se apagando. Por um segundo percebi o coletivo se aproximando. Entrei em parafuso. Mergulhei em um comprido túnel, com uma luz azulada, fraquinha, bem no fim. Apaguei. Por um instante fui envolvido pela escuridão. Depois de alguns segundos, me recuperei. Lépido, corri para o ponto, bem a tempo de embarcar auxiliado por um risonho cobrador. Estava atordoado, meio tonto...
Dentro do ônibus, tudo era estranho. A luz, amarela, pálida, mal permitia que eu identificasse as outras pessoas. O cobrador usava um capote negro, que lhe cobria todo o rosto. Apressou-me intimando: “Êi, não fique aí parado! Chega mais! Entregue sua ficha! Ache um lugar para sentar!”. Vasculhei os bolsos. Nem dinheiro, nem ficha, nada. Teria perdido na hora da queda? O cobrador insistiu: “Rápido companheiro! Entregue a ficha! Adiante meu expediente! Estamos quase no ponto final!”. Em seguida, emendou: “A propósito! Você morreu do quê?”...
Na hora não entendi. Será que tinha ouvido mal? Dei meu vale transporte para o cobrador. Ele recusou. Falei que não tinha dinheiro, nem ficha. Só aquele vale. Disse que perdera meu dinheiro ao cair num bueiro; que estava voltando para casa. Ele sorriu maliciosamente: “Acho que não! Nem eu sei para onde você vai! O Homem, lá em cima, é quem vai decidir!”...
O expresso, cada vez mais, mergulhava na escuridão. Percebi poucas pessoas em seu interior. O cobrador, parecendo que lera meus pensamentos, voltou a falar, “Você deu sorte meu chapa! Este expresso é só para esta região! À meia noite, em ponto, ele passa pegando os últimos mortos do dia! Pelo meu controle, hoje, só faltavam quatro! Você e mais três! Por isso, senta aí e vá passando sua ficha!”...
Comecei a tremer. Morto eu? Sentia (e sabia) que não estava. Retruquei: “Quem falou que eu estou morto?”. Prossegui tentando convencê-lo dizendo que não tinha ficha nenhuma, que não estava gostando daquela brincadeira. Ainda mais na noite do Natal. Pensei que fosse uma “pegadinha” de alguma TV ou rádio. O cobrador quando o ônibus parou em um ponto, irritado me avisou: “Tá chegando mais um infeliz! Você saia da frente! Não atrapalhe! Ache logo sua ficha! Depois eu falo com você!”...
Subiu um rapaz sujo de sangue, cabeça quebrada. Ficha branca na mão. O cobrador foi logo perguntando: “Morreu de quê?”. O rapaz respondeu, “Briga de gangue! No Guanandi! Alguém deu uma paulada na minha cabeça! Cai! Arrebentaram comigo! Fui furado com um estilete! Meu corpo está caído lá numa ruazinha escura, perto do Rosa Pedrossian! Por favor, me ajude avisar minha mãezinha!”. O cobrador respondeu, “Fica frio! Sua mãe vai ter um pesadelo! Vai acordar e ligar para a polícia! Os meganhas vão lhe achar! Seu corpo será resgatado!”...
O ônibus tornou a parar. Subiu outro jovem. Todo ensanguentado. Entregou uma ficha azul. Foi logo explicando: “Acidente de moto! Tomei cerveja até meia noite! Ao sentir que estava ficando bêbado, resolvi ir para casa! Quando atravessava a Souto Maior, aconteceu! Só senti a pancada na cabeça!”. O cobrador, balançando negativamente a cabeça, sentenciou: É sempre assim! Bebe, enche a cara, vai andar de moto! Depois não quer morrer!”. O rapaz retrucou: “Eu não estava pilotando moto! Eu fui atropelado por uma!”. Ouviram-se risinhos debochados. Depois todos ficaram em silêncio...
O expresso tornara a parar. Mais dois homens subiram. O primeiro, ficha amarela na mão, foi se explicando: “Eu estava no segundo andar de um sobradinho na Vila Kelen! Estava transando com uma mulher casada. O marido dela chegou! Fiquei escondido dentro de um armário! O homem ficou maluco! Bateu na mulher! Para não matar a mulher, pegou o armário e jogou pela janela! Lá de cima! Bum! Bem no meio da rua!”...
Todo mundo morreu de rir com aquela história. O cobrador, ainda sorrindo, perguntou para outro cara com pescoço quebrado, que tinha acabado de entrar: “E você? Não vá dizer também que estava namorando uma mulher casada e se escondeu dentro de um armário!”. O cara, indignado, respondeu: “Sai fora meu! Morri por causa dessa bichona! Estava indo para a missa do galo. Quando passei perto do sobradinho, caiu um armário na minha cabeça!”. A gargalhada foi geral...
O ônibus, de repente parou. Irritado, o motorista berrou para o cobrador: “Cara, presta atenção! Chega de fofoca! Não dá trela para essa gente! Tem alguma coisa errada! A gente ia pegar quatro finados! Já subiram cinco! Assim fica difícil! Dá uma geral! Confere direito os passageiros!”. Era minha última chance. Pulei do banco. Gritei para o cobrador, “Não falei que não tinha morrido? Não tenho nenhuma ficha! Não briguei! Não fui atropelado! Não caiu armário na minha cabeça! Eu só quero ir para casa, passar o Natal com minha família! Pare essa merda de ônibus! Quero descer!”...
O motorista, enquanto o cobrador conferia as fichas, retrucou: “Merda não, faz favor!”. Parou o ônibus. Fez sinal de positivo para mim. Abriu a porta e rosnou: “Desce logo cara! Nasceu de novo! Presta atenção onde pisa! Para de beber! Aproveita esta última chance! Dê um abraço na família! Feliz Natal!”...
Ao descer daquele fúnebre expresso, tropecei. De novo mergulhei naquele buraco escuro. Girei na escuridão. Dessa vez, a luz do fim do túnel estava mais perto. Abri meus olhos. Fiquei em pé. Minha perna doía. O joelho da calça rasgado. Atordoado, percebi o expresso se aproximando. Fiz sinal para parar. Ele encostou junto ao meio-fio. Entrei naquela lata velha, contente e aliviado. Ninguém entendeu quando fiz questão de desejar Feliz Natal e cumprimentar um por um dos passageiros...
Era Natal. Eu acabara de ressuscitar. Eu acho!
Meninos... eu vi !!!
***** jairbuchara@hotmail.com *****

30/11/2025

A VAMPIRA DO PARQUE DOS PODERES,,,

 



Quando Jenir completou 18 anos, sua avó, benzedeira no bairro Amambaí, lhe deu um patuá costurado em um pano preto advertindo-o que, daquele dia em diante, deveria sempre trazê-lo pendurado no pescoço. O patuá guardava em seu interior, mistura de ervas com dentes de alhos macerados exalando um odor azedo que o jovem fingiu ignorar. Fechava o corpo. Evitava quebranto, mal olhado, feitiço, praga. Afastava bruxa, vampiro e lobisomem. Para conquistar mulheres era infalível. Jenir deveria carregá-lo diuturnamente...

Era tudo que o Don Juan precisava para garantir suas conquistas baratas. Agora poderia aprontar sem temer nenhum tipo de represálias. Além de ter o corpo fechado, seria irresistível. Mulheres? Seriam presas fáceis. Pensando estar protegido física e espiritualmente, o rapaz começou a agir como um super-homem. Depois de acertar uma milhar no jogo-do-bicho, comprou um velho Opala. Mandou envenenar o motor...

Um porteiro do Rádio Clube, conhecedor das quebradas da Cidade Morena, revelou que sabia de um lugar onde ele poderia “queimar pneu”: “No Parque dos Poderes, depois das dez da noite, por causa da pressão dos filhinhos de papai, fica tudo liberado. A polícia deixa a zoeira correr solta!”...

31 de outubro, dia do Halloween, noite das bruxas, altos da Afonso Pena. É quase meia noite. Suando, Jenir se embriagava com o cheiro da borracha queimada no asfalto. Gangues de punks e darks misturavam-se a jovens e coroas mal intencionados que começavam a lotar os acostamentos. Jovens fantasiados. Pelas pistas da avenida mais charmosa de Campo Grande, desfilavam vampiros, duendes, dráculas, frankesteins e bruxas, vibrando e surtando com o roncar dos motores envenenados...

O “crack” corria solto. Havia cheiro de marijuana no ar. Jenir já havia flertado com meia dúzia de gatinhas empolgadas com seus cavalos de paus quando percebeu na multidão uma “vampira”. Sua atenção foi desviada para a mulher mais bonita que jamais tinha visto na vida. No meio da fumaça dos baseados e dos escapamentos, flutuava ela. Sorrindo para ele, insinuava uma noite plena de aventuras...

Jenir, não perdeu tempo. A pé, foi atrás da bela fantasiada. De longe, minissaia provocante, agitando esvoaçante capa negra, ela continuava a esbanjar seu charme. “Vai ser moleza!”, pensou o rapaz ao aproximar-se para abordar aquela tentação. Daí, a decepção. A menina recuou. De repente, olhos arregalados, assustada, como se estivesse sufocando, precisando respirar, ela fugiu apavorada engolida pela na multidão. Perplexo, Jenir se recusou a desistir da moça. Seu problema se resumia em encontrá-la. Com raiva, ficou mais arrojado. Radicalizou nas manobras. Ganhou cada vez mais aplausos. Subia e descia a avenida surtando como se estivesse drogado. E, de novo, ela. Desfilando na multidão, sorria maliciosa para Jenir. Pele alva, sedosa. Cabelos negros. Unhas vermelhas semelhantes à garras. Boca sensual, dentes perfeitos. Olhar profundo e marcado por enigmática olheira...

Jenir desce do carro batendo a porta. Corre em busca de sua musa. Ao tentar falar com ela, de novo é recebido pelo mesmo olhar angustiado, apavorado, o medo desenhado em cada gesto. De novo a fuga em pânico pela noite. O rapaz tenta persegui-la. Barrado por um grupo de ‘skinheads’, desiste da perseguição. Desolado volta para o carro Sua frustração era tanta que se quedou absorto, parado. Cabisbaixo, não entende o que acontecera. Irritado, abre a porta do Opala e se joga no banco dianteiro. Nisso, o cordão de seu patuá se enrosca na maçaneta. Arrebenta. O amuleto carambola no ar, vai parar debaixo do banco dianteiro. Um cheiro nojento invadiu o ar. Os olhos de Jenir lacrimejam. Suas pupilas se dilatam. Pensa: “É isso! É do patuá este maldito cheiro de alho podre. Ela fugiu por causa do cheiro! Por que não percebi antes?”...

Os primeiros fogos comemoravam o Halloween quando Jenir se misturou com as múmias, esqueletos e dráculas. Ápice da noite das bruxas. O patuá? Seu patuá jaz esquecido debaixo do banco. Confiante, o rapaz corre em busca da sua vampira. Ei-la ali. Desta vez, a mulher-morcego não foge. Caminha lentamente enquanto Jenir segura em sua mão. Ao lado dele, deixa-se abraçar. Não se nega. Depois de um apaixonado beijo, sem dizer uma só palavra, o casal mergulha nas românticas quebradas dos altos d’Afonso Pena...

Primeiro de novembro. Dia de todos os santos. Véspera de Finados. Na névoa seca da manhã, um médico legista examina o corpo de um jovem caído ao lado da estátua do guerreiro guaicuru no Parque das Nações Indígenas. É o cadáver de Jenir.  Sem nenhum sinal de violência, ferimento, hematoma, ou buraco de bala. No pescoço, na jugular, dois furos. O corpo não tem uma gota de sangue. Parece um boneco de cera...

O legista chama o delegado. Faz uma confidência. Sussurra ao seu ouvido: “Eu não acredito em bruxas, mas, ontem foi a noite delas. Posso jurar que este coitado foi atacado por um... vampiro!“ Respira fundo: “Como nós sabemos que vampiros não existem, não sei o que dizer! Para não atrapalhar nosso feriado, vou atestar morte natural! Parada cardíaca! Todo mundo vai notar as duas marcas no pescoço. Vou ser menos formal. Evitar perguntas embaraçosas. Ele? Se picou. Injetou cocaína ou heroína no pescoço. O coração não resistiu. Resolvido... Morreu de overdose!”...

Pobre Jenir. Quem mandou não ouvir o conselho de sua avó? Quem mandou abandonar seu patuá? Longe dele, não tinha o corpo fechado...

Meninos... Eu vi !!!

[ jairbuchara@hotmail.com ]

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25/11/2025

HISTÓRIA DO FUTEBOL EM MS

 


O futebol amador de Mato Grosso do Sul sempre foi muito atuante. Nos idos do velho Mato Grosso ainda não dividido - anos dourados do final da década de 60 - quando as andorinhas fazendo revoadas pelos céus de Campo Grande encantavam os habitantes da então “capital econômica do Estado”, neste extremo sul do antigo MT, futebol profissional nem passava pelas cabeças dos torcedores. Futebol mesmo, futebol de verdade só era conhecido “de ouvido”...
As grandes rádios do Rio e de São Paulo invadiam os lares de nossas pequenas cidades – Campo Grande, a maior, não passava dos 50.000 habitantes – gravando no imaginário das populações os nomes dos grandes craques daquelas épocas. As emissoras líderes em audiência eram Globo e Nacional do Rio, Tupí e Record de São Paulo. As rádios cariocas faturavam com a audiência do futebol enquanto as paulistas apostavam mais nas notícias e variedades...
Mesmo por isso, naqueles dias, por estas bandas, Vasco e Flamengo dividiam a atenção do público e eram os times preferidos dos torcedores pantaneiros. Sempre ao final de cada ano, em épocas de confraternização e festividades, os jogadores das equipes amadoras locais, fans das duas maiores torcidas tupiniquins da época, organizavam um tradicional “VASCO X FLAMENGO”, o “clássico dos milhões” do futebol brasileiro...
Com nossos atletas amadores representando os dois times cariocas, duas seleções eram montadas e o jogo costumava acontecer no estádio do antigo Departamento Esportivo Varzeano (atual Elias Gadia), lotado com os fanáticos torcedores das duas equipes cariocas. As apostas corriam soltas e os jogos terminavam em grande confraternização, muitos fogos e roda de violeiros...
Meninos, eu vi!
jairbuchara@hotmail.com
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PS: Minha homenagem póstuma ao atleta amador JAQUINHA, nascido em Aquidauana, MS, 1933, revelado pelo EC Comercial de CG/MS. Além de atuar nas seleções da FMD e LEMC, deu nome ao Estádio das Moreninhas – “Estádio Jaques da Luz”: RIP!
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22/11/2025

SÓ UMA BALA NA AGULHA...

 

 

O amor é bala perdida. Viaja sem rumo e sem destino. Explode no coração do primeiro incauto que cruza seu caminho. Impiedoso, não escolhe idade, nem sexo...

No caso de Cornélio, chegou bem cedo. Decidido a criar raízes. Pegou o rapaz, na plenitude de seus 15 anos...

Com uma saúde de Biotônico Fontoura, de repente, o garoto começou a deixar seus pais preocupados. Abandonou os livros. Deixou de ouvir rádio. Parou de bater bola com seus amigos. Vivia suspirando pelos cantos. Seu pai, Oscar, cochichou para sua mãe: “Maria, aí tem dedo de mulher!”...

Ledo engano. A responsável pelos suspiros não era uma mulher. Era só uma menina. Só 13 anos. Criança que, de noite, ainda passava da sua cama para a de seus pais. Que dormia abraçada com um bichinho de pelúcia e passava as tardes conversando com sua boneca Emília. Quase um anjo. Ela era a bala perdida que ferira o coração de Cornélio...

Estudante do Colégio das Irmãs. Carinha de ingênua, a menina parecia não saber do potencial que seu corpo começava a revelar. Displicentemente, fingia não notar o generoso botão desabotoado de sua blusa que premiava os homens com uma visão maliciosa e pecadora. A saia colegial, não era capaz de cobrir todos os encantos que Deus generosamente lhe dera. Os meninos, pelas ruas do Amambai, batiam cabeça tentando ver algo mais ao longo daquele delicioso, juvenil e ouriçado par de coxas...

Cornélio estudava no General Malan. Morava nos arredores da Perpétuo Socorro. Aos domingos era o primeiro a chegar para a missa das sete. Não para orar, para adorar. Encarando fixamente, sem dar um suspiro, sem mexer um músculo, vigiava todos os passos e gestos de Teresinha com genuína devoção...

Não deu outra coisa. Enamoraram-se. Paixão instantânea. Recíproca. A jovem, católica, vivia na igreja. Não perdia missa, novena ou quermesse. Ajudava no que podia. Por causa dessa dedicação toda, Cornélio começou a achar que ela era uma santa. Apesar do desejo que o consumia, se mantinha firme. Tratava Teresa com o maior respeito. Sem longos beijos na boca nem carícias mais audaciosas...

Ela, verdadeiro vulcão, cheia de amor para dar, consumia-se em desejos inconfessáveis. Ele fazia questão de não avançar o sinal. Bom caráter, enquanto segurava as pontas, vivia repetindo: “Não Teresa! Espere o casamento! Eu aguento!”. Para seu pai, ele confidenciava: “Sou um cara de sorte! Teresinha é uma santa!”...

Na realidade estavam apaixonados. Assim se casaram. Viviam felizes. A moça continuava generosa nos seus decotes e sentares. O jovem, cada vez mais apaixonado, debulhava elogios para a mulher amada. E o tempo passou. Sete meses de casamento. Nenhum sinal de barriga ou gravidez. Uma noite, ouvindo a sogra reclamar por um neto, Teresinha desabafou: “A culpa não é minha, é de seu filho! Não me procura! Acha que sou santa, que sou de ferro! Que não sinto vontade nem desejo!”...

Essa conversa acabou sendo ouvida pelo velho Oscar...

Ávido por um neto, o coroa ficou indignado. Seu filho não era gay. Era macho, como ele. Daí pegou no pé do rapaz. Cobrou. Qual era o problema? Afinal, Teresinha era uma potranca. Transpirava sensualidade. Cheia de vontades, doida para subir pelas paredes. Cornélio desconversou. Que conversa era aquela? Sua mulher não era puta. Tinha que ser respeitada. Disse que na hora certa, aconteceria. Não precisavam ficar pressionando. Seu pai, ainda desconfiado, advertiu: “Vou ter uma conversinha com Teresa. Ela vai ter que me explicar esta falseta”. Ninguém ficou sabendo se chegou a cumprir sua promessa. O tempo voou. Todo mundo esquecera tal episódio...

Certa tarde, Cornélio recebe um envelope. Um moleque pilotando uma bicicleta lhe disse: “É para o senhor!”. Dentro, um bilhete. Anônimo. Curto e grosso: “Sua mulher está lhe traindo!”. Nos dias seguintes, outros mais. Revelavam datas e detalhes dos encontros. Nenhum nome. É claro que a vida de Cornélio virou um inferno insuportável. Fingia fazer absoluta questão de ignorar e não acreditar naquilo que lia. Mentiras escritas por algum maldito invejoso...

Um dia, depois de mais um bilhete lido e de observar as atitudes de sua amada, chegou ao limite. Começou a pensar como estava sua vida conjugal. Sua mulher não o procurava mais com o mesmo fogo de antes. Não reclamava. Dormia cedo. Seria verdade? Estava sendo traído? Mas, por quem? Hipocritamente, para ele, Teresinha continuava sendo uma santa. Adorava-a. A culpa toda seria de algum canalha que a estava iludindo, aproveitando de sua ingenuidade e inexperiência. Da sua pureza de caráter. Seria a mesma pessoa que estava mandando aqueles bilhetes idiotas? Raivoso, tomou uma decisão inconsequente: se preciso fosse, mataria o conquistador. Defenderia a honra e a reputação de sua amada. Para isso, começou a arquitetar um plano...

Comprou uma pistola. Receando que na hora que fosse usar a arma lhe ocorresse a tentação de atirar também na sua amada, decidiu: “Vou por só uma bala na agulha!”. Não teria piedade. Colaria a arma na nuca do tarado e, fim da linha parceiro!

Quarta feira, dia de levar sua mulher na novena. Cornélio fingiu uma enxaqueca. Pediu para ficar repousando em casa. Ela podia ir sozinha. Assim, se os bilhetes fossem verdadeiros, Teresa não perderia a chance de encontrar-se com seu amante. Esperou o tempo passar. Noite chegando, enfiou sua arma debaixo do paletó branco de linho. Saiu assoviando, tranquilamente...

Chegou ao endereço delatado, uma pensão na esplanada ferroviária, rua General Melo. Deu uma propina para o porteiro que confirmou a presença de um casal no quarto 13. Pela descrição, a mulher era mesmo Teresinha. Recebendo a cópia da chave do quarto, jurou não fazer nenhum escândalo. Precisava, só, tirar uma dúvida. Queria conversar com os dois para confirmar um negócio. Começou a subir cautelosamente. Em silêncio, com muito sangue frio, destrancou a porta. Empurrou-a devagar, quase com medo. Entrou um pé depois do outro naquele lupanar. Reconheceu os ofegantes gemidos de uma mulher. Era mesmo a sua Teresinha. Em pleno cio...

Dezenove horas. Os dois amantes, apaixonadamente ativos, não notaram sua presença. O barulho de um trem chegando à estação da Noroeste encobriu o som de seus passos. Cornélio, coração na mão, enojado, chegou bem pertinho do casal. Antes de atirar, quis saber quem era o cara que roubara o coração de sua mulher. Olhou direto nos olhos do traidor...

Pobre rapaz. O tarado, o canalha, amante de Teresinha, era Oscar. Seu pai...

O tiro, fatal, ecoou pelos corredores do Colégio Dom Bosco e pelos apartamentos do Hotel Gaspar. Foi ouvido no Dragão da Baixada. Explodiu a cabeça do infeliz. O sangue escorreu pelas paredes. Os miolos mancharam os alvos lençóis da impura cama. Realmente uma tragédia. A notícia rapidamente se espalhou. Campo Grande se comoveu...

Um tiro só! Cornélio, o mais apaixonado, o mais fiel de todos os maridos...

Acabara de se suicidar!

Meninos eu ví!

jairbuchara@hotmail.com

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16/11/2025

UM CORPO BOIANDO NO ANHANDUI...

 

BEN-HUR: UM CORPO NO ANHANDUI...

Ben-Hur nasceu com nome diferente, badalado, nome de príncipe judeu, de filme americano famoso. Cresceu pensando ser o “máximo”, embora abominasse a infelicidade de ter nascido em família humilde, cujo único patrimônio era uma casinha no Tarumã...

Por causa da precária situação financeira dos pais e do sarro que seus colegas tiravam de seu nome, a cada dia ia se sentindo mais humilhado. Não tinha amigos. Andava sozinho. Aos 16 anos, deu-se conta que gozava de certo charme. Cabeludo, cheio de pulseiras e colares, calça jeans, camisa vermelha. As periguetes viviam atrás dele, mandando bilhetinhos. As mais velhas – mesmo as casadas - viviam lhe atirando olhares lânguidos, beijinhos, piscadelas, com promessas de muitas aventuras...

Aos 18, alistou-se no Exército. Viveu a maior parte do tempo de soldado atrás das grades, por desacato, bebedeira e quebra-quebra em bordéis. Durante o tempo de caserna chegou a juntar uns trocados. Depois de um ano, deu baixa. Revoltado, cada dia mais decidido a se vingar do mundo. Sendo um covarde, pusilânime, sem caráter, escolheu o sexo frágil para ajustar as contas. Vingança besta, sem sentido, que nem ele sabia explicar o motivo...

Desempregado, vivia sustentado pelas ingênuas colegiais que se emaranhavam nas falsas teias de seus encantos...

Certa ocasião, quase meia-noite, depois de asistir um jogo no Morenão, pela primeira vez, por acaso, embarcou no “Corujão” - último ônibus noturno da linha “Centro/Tarumã”, o bairro mais distante do centro da cidade...

Descobriu que naquele horário e naquele ônibus lotado por cansados trabalhadores, estudantes, enfermeiras, desocupados, soldados, homens e mulheres, poderia se valer de seus “encantos” e de suas certeiras “cantadas”, para ganhar dinheiro fácil. Querendo, poderia até arrastar algumas incautas para uma rápida aventura e satisfazer seus mais sujos e baixos desejos...

Com o passar dos dias virou usuário frequente do “Corujão”...

Depois de algum tempo já eram muitas as suas vítimas. Não bastava tomar o mirrado dinheiro das infelizes. No coletivo discretamente escolhia uma vítima. Ficava se roçando na coitada que, quando ousava resistir ao seu assédio, era ameaçada de morte. Sob a mira de uma fictícia arma que fingia trazer no bolso da jaqueta, a jovem sequestrada, era obrigada a descer do ônibus, acabando por ser estuprada. Sem dó nem piedade. Nenhuma adolescente - por receio das ameaças feitas pelo maníaco - jamais teve coragem de denunciá-lo à polícia. Tudo dava certo para aquele aproveitador...

Por graças do destino, o cara viveu sua fatídica Sexta Feira Santa. Naquele dia, sagrado, de luto para os cristãos, Ben-Hur preparou-se para sair para mais uma de suas “caçadas”. Sua mãe ousou lhe implorar: “Não saia hoje meu filho! Fique em casa! Jesus está morto! As bruxas estão soltas! Não fique andando sem destino! É perigoso! Estou com medo!”. O tarado nem deu bola. Saiu dando risadas. Aventurou-se pelas ruas de Campo Grande até tarde da noite...

Por causa do dia santo, não havia nenhum movimento. Ele ávido por um copo de cachaça, os bares todos fechados. Poucas pessoas nas ruas. Assim que o “Corujão” chegou à Maracaju, Ben-Hur embarcou. Chegando na Rodoviária, valeu-se do “empurra-empurra” para selecionar sua próxima vítima. Avaliou: poucas mulheres, nenhuma interessante. O ônibus, vazio. No último banco, uma solitária passageira. Seu loiro cabelo contrastava com o discreto cachecol que escondia seu rosto. Inteirinha vestida de branco...

“Ainda bem!”, pensou Ben-Hur. Só podia ser enfermeira, ou auxiliar de um hospital qualquer. Sem lhe dar atenção, a bela fêmea, desenvolta, tricotava uma peça de lã. As duas agulhas de aço, negras, iam e vinham numa incrível velocidade...

Ben-Hur sentou-se ao lado da desconhecida. Tentou puxar conversa. Nenhum olhar. Nenhum oi. Nenhum suspiro. Raivoso, pensou: “Azar dela! Vai ser ela mesma! Não mandei ser metida a besta!”. Apoiando a cabeça no banco, fingiu dormir. Esperou o momento certo para atacar. E o “Corujão” seguia pipocando pelas esburacadas ruas dos bairros da periferia de Campo Grande, buscando seu ponto final. Passou pelo Tijuca, Batistão, São Jorge da Lagoa. Entrou na Copavila II, invadiu o Tarumã...

Perto do Hospital do Pênfigo, a bela e sedutora enfermeira levantou-se. Sem olhar para os lados, cruzou a catraca. Puxou a cordinha. Desceu no Clube 5 de Maio, perto das torres da Enersul. Lugar escuro. Deserto. Abandonado. Perigoso. O jovem tarado, todo fogoso, disfarçadamente, desceu atrás. Seu fim de noite parecia promissor.  Seu sujo plano, por enquanto, estava dando certo...

Amanheceu o dia. Dia de malhar o Judas: “Sábado de Aleluia”...

Maria, mãe de Ben-Hur, nervosa, inquieta, café quentinho na térmica, aguardava seu único filho. Apesar de todos os defeitos do rapaz, ele sempre avisava quando não ia voltar para casa. Aflita, a assustada mulher já telefonara para tudo quanto é lugar onde ele poderia ter passado a noite. Ninguém sabia nada. Nenhuma notícia...

_ “Deus, porque é que ele não chega? Onde andará meu menino?”...

Meio-dia, buzinas no portão. Maria, angustiada, corre para atender.  Lá fora, parado, um carro preto. É a polícia. Trazia noticias sobre seu filho. Ele, finalmente, havia sido encontrado...

Debaixo da ponte, uns cem metros do ponto do Corujão...

Bem-Hur boiava no Anhanduí...

Uma negra agulha de tricô, de aço, atravessava sua garganta...

Outra cravada, até a metade, em seu coração...

O terror do “Corujão do Tarumã” nunca mais voltou a atacar!

Meninos... Eu vi !!!

****Jair Buchara ****


07/11/2025

QUEM ENTERROU O TREM-DO-PANTANAL ???

 


Em 1999, o então governador de MS, ZECA DO PT, recém-empossado, tinha como uma de suas metas a reativação do TREM DO PANTANAL. Inicialmente a promessa da volta deste trem tinha sido prevista para novembro de 2005, mas isso não aconteceu apesar de várias obras terem sido feitas como a construção e reformas de várias estações ferroviárias...

O TREM DO PANTANAL fez a sua primeira viagem oficial em 9 de Maio de 2009. Na Esplanada da Estação Ferroviária, em Campo Grande, O Presidente LULA e sua comitiva, mais ZECA DO PT - governador de MS - e seus “companheiros”, fizeram uma viajem simbólica, que não durou 100 metros. Tomaram um lauto café da manhã na luxuosa composição do novo “Trem do Pantanal” que valia uma fortuna: 5 vagões todos decorados com motivos da fauna pantaneira; 3 de passageiros, 1 restaurante, 1 panorâmico, com poltronas reclináveis, cabine com cama e toalete, ar condicionado, TV, áudio, vídeo, Internet...

Até hoje ninguém sabe o verdadeiro motivo da antiga NOB ter sido desativada em 1994, justamente quando batia – segundo as estatísticas da época - todos os recordes de transporte de cargas com números semelhantes aos da Índia, França, Inglaterra e Japão e quando era uma importante auxiliar no combate à aftosa e resgate do gado durante as cheias do Pantanal. Em 2006, o Ministro de Turismo, MARES GUIA, junto com ZECA DO PT e RUITER CUNHA, prefeito de Corumbá, assinaram um protocolo de transferência que autorizava o repasse de R$ 1,8 milhão para obras de reforma, saneamento de oficinas e capacitação da comunidade. MS entrava com R$ 100 mil de contrapartida. Porto Esperança receberia o investimento e o trem começaria a circular ainda em 2006. Enfim, MENTIAM que o trecho Corumbá x Porto Esperança já estava pronto e os vagões também...

Tudo enrolação. No início de 2007, vários daqueles ilustres representantes já citados, mais o então prefeito de Campo Grande, ANDRÉ PUCCINELLI, alardearam na mídia nacional que o Governo Federal disponibilizaria 100 milhões de reais para a recuperação da ferrovia no trecho entre Corumbá/MS e Bauru/SP. O Secretário de Infraestrutura de MS, CARLOS LONGO, boquejava que para o “Trem do Pantanal” voltar só faltava reformar uma estação - seriam 5 vagões com 192 passageiros percorrendo 15 estações. Meses mais tarde, depois de assinado um convênio com a América Latina Logística e uma “trade” turística do Paraná, ANDRÉ PUCCINELLI profetizou que o expresso poderia voltar em setembro de 2008, com mais 3 vagões, dependendo de reformas no trecho Aquidauana x Miranda. Infelizmente, no final de 2007, o então Secretário de Transportes de MS, EDSON GIROTTO, jogou água fria na fervura decretando: “A volta do Trem do Pantanal é uma utopia!”...

Nós, pobres contribuintes, ficamos também sabendo pela mídia da época que a única ‘MARIA FUMAÇA’ ainda existente em Mato Grosso do Sul, apodrecia singelamente em um jardim de Ladário. Servia de brinquedo – diurno - para crianças, e de banheiro – noturno - para desocupados...

Pior, depois de uma esfuziante festa pirotécnica regada a mordomias para a mídia e “para inglês ver”, depois de massageado o ego dos nobres representantes da política estadual, os 5 vagões comprados a peso de ouro, teriam sido recolhidos e encostados na esplanada ferroviária de Corumbá, onde então jaziam, sofrendo o devido processo oficial de sucateamento. Estavam, aos poucos, apodrecendo.

Enfim, estamos vivendo o terceiro reinado de LULA e uma dúvida ainda persiste no imaginário deste Estado do Pantanal: aqueles luxuosos vagões ainda existem? Se sim, onde estão escondidos? Ninguém sabe. Ninguém viu...

Afinal... Quem enterrou o Trem-do-Pantanal ?

***** Jair Buchara *****

02/11/2025

O DECADENTE FUTEBOL DO PANTANAL SUL...


BUGRADA AMIGA DESTE ESTADO DO PANTANAL...

O FUTEBOL DA CAPITAL (CAMPO GRANDE) VAI CADA VEZ MAIS DE MAL A PIOR...
VEJAM A CLASSIFICAÇÃO FINAL DA SEGUNDA DIVISÃO - SÉRIE "B":
CAMPEÃO: BATAGUASSU....
VICE-CAMPEÃO: AQUIDAUANA...
O RESTO? É RESTO !!!
VAI DEMORAR - PELO MENOS 3 ANOS - PARA QUE O ESTÁDIO DAS MORENINHAS ( NA SÉRIE A - PRIMEIRA DIVISÃO - RECEBA EM SEU GRAMADO UM FINADO CLÁSSICO "COMERÁRIO" !!!
*** MENINOS: EU VI !!! ***


01/11/2025

CINE RIALTO...

 

O Cine Rialto deixou saudades em Campo Grande. Situado na Rua Antônio Maria Coelho, com 800 lugares e arquitetura simples, logo conquistou a simpatia de pessoas que se deslocavam até ele à noite utilizando lanternas e lampião a gás...
Na década de 50 a energia elétrica ainda não chegava até aquela região. A fila, em frente à bilheteria, era sempre grande. Os ingressos, às vezes, acabavam. A rua escura, sem asfalto, tinha um modesto comércio de pequenos “barzinhos” e mercearias...
Para que o Cine Rialto funcionasse, foi preciso instalar um gerador próprio. Ele não tinha palco apropriado, mas tinha um mezanino. Fazia sessões reservadas às moças (com meia-entrada) e matinês para a criançada. Na metade da década de 1950, seu público começou a diminuir, mas em 1958 uma reforma o transformou em cinema de luxo, moderno. Sua tela panorâmica foi trocada, assim como as cadeiras, todas estofadas. Virou o ponto “chic” da cidade. O mais sofisticado. O mais bonito. Poltronas confortáveis. Luxuosas cortinas grenás. A moça que vendia balas, sempre elegante, bonita, sorridente. O “lanterninha”, sempre educado, bem humorado, gentil...
O saguão do Cine Rialto era ponto de encontro dos representantes das mais tradicionais e antigas famílias do então velho e querido Mato Grosso: Chaia, Cesco, Trad, Akamine, Bueno, Rondon, Kanashiro, Coelho, Garcia, Canale, Barbosa, Martins, Buchara, Gal, Espíndola, Pettengil, Oliveira, Lima, Alencar, Miranda, Uheara, Leitum, Arakaki, etc. Era, enfim, o cinema preferido pela sociedade, autoridades civis e militares. A casta fazia questão de desfilar em sua sala de espera. Nariz empinado. Gente fina...
Nas matinês, os jovens da Cidade Morena viviam horas de completa simbiose. Respiravam o mesmo ar. Dividiam a mesma emoção. Suspiravam por uma mesma impossível paixão. Eram os únicos abrigos em que os casais, protegidos pela penumbra dos projetores, podiam matar suas saudades. Namorar. Trocar uma carícia mais atrevida. Um abraço mais ousado. Mergulhar, sem medo, num apaixonado, eterno e oculto beijo. Muitos casamentos desta nossa Cidade Morena tiveram início no apagar das luzes deste cinema...
O Cine Rialto, definitivamente - assim como os cines Alhambra e Santa Helena - mudou o comportamento social da cidade. A partir de sua reforma, de início, s mulheres por exigência da casa, eram convidadas a usarem vestidos “à altura” (roupas finas que fugissem do trivial), e os homens só podiam entrar de paletó e gravata. Dentro da sala, o costume de ficar circulando até começar o filme para flertar com alguém também foi banido. O público tinha que entrar e, imediatamente, ocupar o seu assento...
Hoje, infelizmente, depois de um período de decadência foi esquecido, fechado e transformado em templo religioso da Seicho-No-Ie...
Meninos, eu ví !!!
jairbuchara@hotmail.com
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31/10/2025

NOITE DO HALLOWEEN NO MS...

 

Reza a lenda que as bruxas de Campo Grande - capital do Mato Grosso do Sul - se encontram no último dia do mês de outubro: 31/10 - HALLOWEEN - “DIA DAS BRUXAS”...
Chegam montadas em suas vassouras voadoras para uma confraternização em uma festa administrada pelo DIABO...
Gargalhando tenebrosas e estridentes risadas, inundam os ares com palavrões. Rogam pragas, maldições e feitiços em qualquer pessoa que ouse profanar suas macabras diversões. Enquanto se divertem, as bruxas quando precisam transformam-se em qualquer tipo de animal, tais como coruja, morcego, cobra, sapo, águia, rato. Morrem de rir enquanto causam pânico, transtornos e dificuldades apavorando incrédulos e cristãos...
Você vive em Mato Grosso do Sul? Não acredita em bruxas? Gostaria de bater de frente com uma? Tem certeza? Vou lhe ajudar. Vou falar para você que mora em Campo Grande. Preste atenção...
Dia 31 de outubro, noite do HALLOWEEN, vista uma roupa escura do lado do avesso. Depois caminhe pela Rua 13 de maio até o cemitério de Santo Antônio. Dobre à direita descendo a Rua da Liberdade que, a esta altura, deverá estar escura e deserta. À meia-noite, em ponto, sempre rezando o Credo, pare onde estiver. Comece a andar de costas. Não tenha medo. Seu desejo será realizado. Você vai encontrar sua bruxa...
O que vai acontecer depois? Não sei... É problema seu. Foi você quem desejou, foi você quem pediu. A bruxa fará de tudo para roubar sua alma. Não olhe diretamente nos olhos dela. Tente fugir antes que ela o hipnotize. Se conseguir, depois você me conta este milagre...
Só para concluir, vou lhe revelar, também, como nasce uma bruxa. Preste atenção...
Todo casal que tiver sete filhas, mas nenhum filho, não tem perdão. Se nascer uma sétima filha - a caçula – se ela não for batizada e continuar pagã até a puberdade, quando completar 13 anos, vira bruxa...
Ao anoitecer, normalmente ela se transforma em coruja. Emite sons estridentes. Sai voando de casa em casa procurando por um recém-nascido. Para quê? Para beber seu sangue. Como fazem os vampiros...
Para você, de quebra, deixo um último aviso...
Quer saber mais um truque das bruxas? Elas também se transformam em gatos. Gatos pretos. Estes felinos carregam como encosto, espíritos de mortos. Trazem problemas. Preste atenção: na noite do Halloween nunca fixe o seu olhar diretamente nos olhos de um gato preto. Ele pode ser uma bruxa disfarçada que vai tentar roubar sua alma...
Enfim, se hoje, Halloween, na noite das bruxas, um gato preto tentar cruzar seus passos, não deixe que isso aconteça. Pare. Recue lentamente. Volte pelo mesmo caminho que você chegou. Senão, o azar é seu...
Não diga, depois, que não lhe avisei...
Meninos, eu vi !!!
Quer saber mais sobre bruxas? Adquira meu livro “As Bruxas de Campo Grande”!
jairbuchara@hotmail.com
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23/10/2025

RUM COM PASSAS...

 


RUM COM PASSAS...

 I

RUM COM PASSAS: ERA O SORVETE PREFERIDO DELA.

SORVETE QUE EU LHE UNTAVA ENQUANTO A SEDUZIA,

UM PALADAR TÃO GOSTOSO, O SABOR QUE EU SENTIA,

QUANDO LAMBIA A CALDA QUE IA ESCORRENDO NELA.

II

RUM COM PASSAS ERA SÓ CHAVE DE NOSSO DESEJO.

SENHA QUE NOS LIBERAVA DE QUALQUER COMPLEXO,

A PASSAGEM DO SORVETE FRIO PARA O QUENTE SEXO,

A PORTA QUE ELA ABRIA DEPOIS DE UM LONGO BEIJO.

III

RUM COM PASSAS: ERA O SORVETE PREFERIDO DELA.

SORVETE QUE EU, LOUCAMENTE, LAMBUZAVA NELA,

DESEJANDO QUE O SEU CORPO MUDASSE DE SABOR.

IV

RUM COM PASSAS: ERA A NOSSA MARCA PREFERIDA.

SORVETE QUE ME RELEMBRA MINHA PAIXÃO PERDIDA:

ONTEM ERA DOCE NAMORADA, HOJE SÓ UM EX-AMOR!

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www.jairbuchara@hotmail.com

Campo Grande - MS