08/10/2015

FUTEBOL DE MS: OU MUDA... OU MORRE!


Tirando CHAPECÓ (SC), 206.000 habitantes, todas as demais cidades com um time na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, Série A, tem mais do que 400.000 habitantes. As três com menor número de habitantes são: Santos (SP) – 433 mil, Florianópolis – 470 mil e Joinville – 560 mil. No entanto, Avaí, Figueirense, Joinville e Chapecoense, correm sério risco de voltar para a Segunda Divisão. Se isso acontecer o SANTOS FC será uma exceção em 2016. Todos os seus adversários virão de cidades com mais de 1.000.000 de habitantes. Não quero destruir as ilusões dos torcedores de Mato Grosso do Sul, mas informo que as maiores cidades de MS (IBGE 2015) são: Campo Grande – 854 mil habitantes; Dourados – 213 mil; Três Lagoas – 114 mil; Corumbá – 109 mil e Ponta Porã – 87 mil. Sendo assim, hoje, só Campo Grande e Dourados podem sonhar com um time na elite do BRASILEIRÃO, mas em futuro não muito próximo. Quem sabe 2022? Deixar os anos passarem tornará tudo mais difícil. Explico: em cidades de porte médio para baixo, é quase impossível manter um time de futebol profissional razoável. As despesas são altas: luvas e salários; prêmios; médicos; segurança; gastos com concentração; alimentação e viagens caras; Pior, a média de público em MS não chega a 400 torcedores/partida. Em qualque lugar do Brasil, jogar com menos de 5.000 pagantes só traz despesas. É sinônimo de prejuízos. Para fugir deste ‘buraco negro’, o time que quiser chegar à elite terá que possuir uma torcida razoável; mínima estrutura patrimonial; um número razoável de sócios, contribuintes, permanentes e fiéis; infraestrutura atraente: piscina, restaurante, quadras de jogos, área de lazer, estacionamento; não ter dívidas com pessoas físicas ou jurídicas. Existe, hoje, em MS algum clube com este perfil? NÃO. Jogar uma série A ou B exige marketing forte; patrocinador disposto a torrar seu rico dinheirinho em jogadores; em uniformes, etc. Raciocinem... a capacidade do Morenão é 27.000 torcedores. Só com ingressos caros e ele sempre lotado, suas rendas valeriam a pena. Lembremos que descontadas as despesas (água, luz, arbitragem, policiamento, etc), o que sobra é dividido por 3: FFMS mais os dois times. Pergunto: em qual estado do Brasil os jogos do campeonato tem média de 27.000 pagantes? Em nenhum. Nem o BRASILEIRÃO tem. Enfim, mesmo com a maior boa vontade, vislumbro tempos difíceis para o futebol de MS. Tomara que me engane. Não temos grandes indústrias e não temos mecenas dispostos a apadrinharem dos times. Para piorar, somos desorganizados. Com 90% de nossas cidades tendo menos que 50.000 habitantes, sonhar com um campeonato estadual atraente é um delírio, uma utopia. Não vai adiantar nada CESÁRIO ser defenestrado da FFMS e o MORENÃO ser reformado. É preciso mudar a nossa realidade. Recomeçar do zero. Projetar um campeonato enxuto, com número reduzido de clubes (no máximo 8). Dar preferência aos times sediados nas nossas seis maiores cidades. Aos times “profissionais de verdade”, organizados. Forçar o surgimento de novos jogadores impondo limite de idade na inscrição deles - 80 % com até 21 anos. E, finalmente, com as mesmas exigências desta série A, montar uma divisão de acesso com os clubes das cidades restantes. Mato Grosso já faz algo parecido. Nós vamos ficar assistindo e batendo palmas? Até quando?

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