Tirando CHAPECÓ (SC),
206.000 habitantes, todas as demais cidades com um time na Primeira Divisão do
Campeonato Brasileiro, Série A, tem mais do que 400.000 habitantes. As três com
menor número de habitantes são: Santos (SP) – 433 mil, Florianópolis – 470 mil
e Joinville – 560 mil. No entanto, Avaí, Figueirense, Joinville e Chapecoense,
correm sério risco de voltar para a Segunda Divisão. Se isso acontecer o SANTOS
FC será uma exceção em 2016. Todos os seus adversários virão de cidades com
mais de 1.000.000 de habitantes. Não quero destruir as ilusões dos torcedores
de Mato Grosso do Sul, mas informo que as maiores cidades de MS (IBGE 2015)
são: Campo Grande – 854 mil habitantes; Dourados – 213 mil; Três Lagoas – 114
mil; Corumbá – 109 mil e Ponta Porã – 87 mil. Sendo assim, hoje, só Campo
Grande e Dourados podem sonhar com um time na elite do BRASILEIRÃO, mas em
futuro não muito próximo. Quem sabe 2022? Deixar os anos passarem tornará tudo
mais difícil. Explico: em cidades de porte médio para baixo, é quase impossível
manter um time de futebol profissional razoável. As despesas são altas: luvas e
salários; prêmios; médicos; segurança; gastos com concentração; alimentação e
viagens caras; Pior, a média de público em MS não chega a 400
torcedores/partida. Em qualque lugar do Brasil, jogar com menos de 5.000
pagantes só traz despesas. É sinônimo de prejuízos. Para fugir deste ‘buraco
negro’, o time que quiser chegar à elite terá que possuir uma torcida razoável;
mínima estrutura patrimonial; um número razoável de sócios, contribuintes,
permanentes e fiéis; infraestrutura atraente: piscina, restaurante, quadras de
jogos, área de lazer, estacionamento; não ter dívidas com pessoas físicas ou
jurídicas. Existe, hoje, em MS algum clube com este perfil? NÃO. Jogar uma série
A ou B exige marketing forte; patrocinador disposto a torrar seu rico
dinheirinho em jogadores; em uniformes, etc. Raciocinem... a capacidade do
Morenão é 27.000 torcedores. Só com ingressos caros e ele sempre lotado, suas
rendas valeriam a pena. Lembremos que descontadas as despesas (água, luz,
arbitragem, policiamento, etc), o que sobra é dividido por 3: FFMS mais os dois
times. Pergunto: em qual estado do Brasil os jogos do campeonato tem média de
27.000 pagantes? Em nenhum. Nem o BRASILEIRÃO tem. Enfim, mesmo com a maior boa
vontade, vislumbro tempos difíceis para o futebol de MS. Tomara que me engane.
Não temos grandes indústrias e não temos mecenas dispostos a apadrinharem dos
times. Para piorar, somos desorganizados. Com 90% de nossas cidades tendo menos
que 50.000 habitantes, sonhar com um campeonato estadual atraente é um delírio,
uma utopia. Não vai adiantar nada CESÁRIO ser defenestrado da FFMS e o MORENÃO
ser reformado. É preciso mudar a nossa realidade. Recomeçar do zero.
Projetar um campeonato enxuto, com número reduzido de clubes (no máximo 8). Dar
preferência aos times sediados nas nossas seis maiores cidades. Aos times
“profissionais de verdade”, organizados. Forçar o surgimento de novos jogadores
impondo limite de idade na inscrição deles - 80 % com até 21 anos. E,
finalmente, com as mesmas exigências desta série A, montar uma divisão de
acesso com os clubes das cidades restantes. Mato Grosso já faz algo parecido.
Nós vamos ficar assistindo e batendo palmas? Até quando?

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