Não é ético o Poder Público, através do governador
ou do prefeito, insistir em usar o dinheiro do contribuinte para “ajudar” time
de futebol “profissional”. Vivemos uma grave crise política e financeira; o
Brasil cresce menos de 1%; prefeituras com contas arrombadas; gestores suando para
pagar salários e honrar aumentos nas datas bases. Neste cenário, TIME DE
FUTEBOL “profissional” receber VERBA PÚBLICA causa sim polêmica e mexe com a
ideologia das pessoas. Justo seria que o dinheiro, mal empregado em clube profissional
sem estrutura, fosse destinado para a saúde, educação, segurança pública,
mobilidade urbana buscando um melhor atendimento e serviço beneficiando a
comunidade. É claro que os gestores públicos só querem usar o FUTEBOL para
propaganda política. Prefeitos das pequenas e médias cidades brasileiras sempre
usaram o time local para tentar projetar eleitoralmente o município e seu próprio
prefeito. Em Mato Grosso do Sul, antigamente, isso era uma regra geral com
muitos exemplos. Em anos de eleições nossas principais cidades - Três Lagoas,
Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Campo Grande - como num conto-de-fadas, montavam
times fortes e competitivos, graças ao apadrinhamento de um senador, deputado,
prefeito e até mesmo vereador. Uma falácia. Passadas as eleições, os times desapareciam.
Em razão disso os clubes de MS estagnaram, pararam no tempo e vão sendo apagados
do ranking da CBF. Vultosos débitos judiciais e trabalhistas eram acumulados
pelos clubes como herança. CENE, Comercial, Operário, etc, estão aí para
comprovar essa tese. Hoje, pires na mão, tentam achar um mecenas que possa
reerguê-los no cenário esportivo local. Dinheiro público é coisa séria. Deve
ser usado de forma correta, com prioridades. Enfim, o futebol precisa caminhar
com suas próprias pernas. O clube que não for capaz de captar recursos no
mercado por pura incompetência ou porque na cidade não existe apoio suficiente,
melhor que se declare “amador” e se reconstrua, do que insistir em “desviar” os
parcos recursos municipais que poderiam ser usados em serviços básicos socorrendo
a população. Dizer que os clubes têm projetos sociais, que colaboram para o
desenvolvimento da cidade; que tiram jovens da rua, como argumento de contrapartida
ao dinheiro que tomou, é sempre uma falácia. Poucos dão um mínimo de
retorno social. A grande maioria suga o que pode dos órgãos oficiais e depois nem
prestar contas do valor recebido querem. Resultado? O clube não evolui. Não
atrai torcedores. Cai no esquecimento. Um time sem torcida (público) pode até ir
longe durante certo tempo, porém não se sustentará no topo. Enfim, os gestores
do futebol em Mato Grosso do Sul precisam acordar. Sair da pré-história. As
ligas estão chegando para elitizar (no bom sentido) os campeonatos
profissionais. Vieram para ficar. Clube que não se organizar e que não se
filiar, que não fizer parceria, acabará agonizando no fim da fila. Só os
melhores sobreviverão. Quem viver... verá!
Jair Buchara
Liga de Futebol
Profissional de MS
Vice-Presidente

Nenhum comentário:
Postar um comentário
POR FAVOR... COMENTE!!!