02/05/2016

MS, FUTEBOL PROFISSIONAL & DINHEIRO PÚBLICO




Não é ético o Poder Público, através do governador ou do prefeito, insistir em usar o dinheiro do contribuinte para “ajudar” time de futebol “profissional”. Vivemos uma grave crise política e financeira; o Brasil cresce menos de 1%; prefeituras com contas arrombadas; gestores suando para pagar salários e honrar aumentos nas datas bases. Neste cenário, TIME DE FUTEBOL “profissional” receber VERBA PÚBLICA causa sim polêmica e mexe com a ideologia das pessoas. Justo seria que o dinheiro, mal empregado em clube profissional sem estrutura, fosse destinado para a saúde, educação, segurança pública, mobilidade urbana buscando um melhor atendimento e serviço beneficiando a comunidade. É claro que os gestores públicos só querem usar o FUTEBOL para propaganda política. Prefeitos das pequenas e médias cidades brasileiras sempre usaram o time local para tentar projetar eleitoralmente o município e seu próprio prefeito. Em Mato Grosso do Sul, antigamente, isso era uma regra geral com muitos exemplos. Em anos de eleições nossas principais cidades - Três Lagoas, Dourados, Corumbá, Ponta Porã, Campo Grande - como num conto-de-fadas, montavam times fortes e competitivos, graças ao apadrinhamento de um senador, deputado, prefeito e até mesmo vereador. Uma falácia. Passadas as eleições, os times desapareciam. Em razão disso os clubes de MS estagnaram, pararam no tempo e vão sendo apagados do ranking da CBF. Vultosos débitos judiciais e trabalhistas eram acumulados pelos clubes como herança. CENE, Comercial, Operário, etc, estão aí para comprovar essa tese. Hoje, pires na mão, tentam achar um mecenas que possa reerguê-los no cenário esportivo local. Dinheiro público é coisa séria. Deve ser usado de forma correta, com prioridades. Enfim, o futebol precisa caminhar com suas próprias pernas. O clube que não for capaz de captar recursos no mercado por pura incompetência ou porque na cidade não existe apoio suficiente, melhor que se declare “amador” e se reconstrua, do que insistir em “desviar” os parcos recursos municipais que poderiam ser usados em serviços básicos socorrendo a população. Dizer que os clubes têm projetos sociais, que colaboram para o desenvolvimento da cidade; que tiram jovens da rua, como argumento de contrapartida ao dinheiro que tomou, é sempre uma falácia. Poucos dão um mínimo de retorno social. A grande maioria suga o que pode dos órgãos oficiais e depois nem prestar contas do valor recebido querem. Resultado? O clube não evolui. Não atrai torcedores. Cai no esquecimento. Um time sem torcida (público) pode até ir longe durante certo tempo, porém não se sustentará no topo. Enfim, os gestores do futebol em Mato Grosso do Sul precisam acordar. Sair da pré-história. As ligas estão chegando para elitizar (no bom sentido) os campeonatos profissionais. Vieram para ficar. Clube que não se organizar e que não se filiar, que não fizer parceria, acabará agonizando no fim da fila. Só os melhores sobreviverão. Quem viver... verá!

Jair Buchara
Liga de Futebol Profissional de MS

Vice-Presidente

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