FABRÍCIO MOTTA - procurador-geral do Ministério Público de
Contas (TCM-GO) e professor da UF de Goiás – informa na Revista
Consultor Jurídico que o número
de CARGOS COMISSIONADOS no governo federal beira aos 24.000. Na França este
tipo de nomeação fora da carreira pública não passa de 5.000 vagas e nos EUA, 8.000.
O Brasil gastou 1,9 bilhões de reais com esses cargos comissionados no ano
passado. Pesquisa do IBGE em 2013 [“Perfil dos Estados Brasileiros”] constatou
que a ADMINISTRAÇÃO DIRETA dos estados brasileiros possui um total de 84.000
servidores comissionados e outros 440.000 agentes “sem vínculo permanente” (assim
considerados pela pesquisa os que trabalham “por prestação de serviços, sem
vínculo empregatício e sem carteira de trabalho assinada”). Estão incluídos
nesta categoria os autônomos, estagiários, voluntários e cedidos por outras
entidades. A ADMINISTRAÇÃO INDIRETA dos estados convive com a existência de
31.662 servidores comissionados e outros 40.167 agentes públicos sem vínculo
permanente. Não se conhece o número de comissionados nos 5.570 municípios
brasileiros. Segundo Fabricio, deve ser algo estratosférico. A promiscuidade
entre o interesse público e os interesses particulares nos cargos comissionados
permite um tratamento nobre para os “amigos do partido”, do governante. CARGOS
EM COMISSÃO são cargos públicos que possuem dentre suas características
essenciais a existência de vínculo subjetivo de confiança e a desnecessidade de
concurso para seu provimento. São importantes e necessários para o exercício de
atividades essencialmente políticas,
ligadas à identificação de prioridades e à escolha de diretrizes que exigem
certo grau de confiança, critério não aferido por concurso público. CARGOS EM
CONFIANÇA exigem tempo e dedicação integrais; os que são legítimos costumam trazer mais
desgastes e transtornos a seus ocupantes do que propriamente benesses. Dada a
importância do Cargo em Comissão, a CONSTITUIÇÃO expressamente delimitou seu
campo objetivo de atuação: desempenho de
atribuições de direção, chefia e assessoramento (artigo 37, inciso V). Os
números citados acima delineiam o perfil do cargo comissionado “à brasileira”: mais amizade do que
trabalho. Difícil imaginar que exista realmente necessidade de tantos
diretores, chefes e assessores. A disputa por tais cargos existe porque
se trata de um trabalho tranquilo, com remuneração razoável, com menos
exigências do que a iniciativa privada. Fica claro que o excesso e deturpação
dos Cargos Comissionados possui o agravante de inviabilizar a transmissão do
conhecimento e a sedimentação das boas práticas relativas às atividades permanentes.
Com efeito, não há como construir uma administração eficiente sem formação e valorização
de um quadro de pessoal PERMANENTE para o
exercício de atribuições que, PERMANENTES, não alteram sua substância com a
passagem de mandatos eletivos.

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